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       PORQUÊ ?

Porque não podemos mais nos sacrificar, numa luta permanente de todos, contra todos(as), em nome de um dito projeto único. Este projeto, que antes unia companheiros(as), agora fragmenta relações.
Porque não podemos mais nos resignar diante das relações capitalistas, que reproduzimos com a ilusão de que estamos sendo revolucionários.
Porque não podemos mais perder a combatividade, a utopia, os horizontes, as afetividades, a sensibilidade de mulheres e homens guerreiros e poetas.
É possível sonhar.
É possível construir e até mesmo destruir, se preciso for, para ser possível fazer de novo.
É possível destruir as estruturas sem destruirmo-nos internamente.
É possível restabelecer a cumplicidade carregada na voz que, com orgulho, chamava o outro de companheiro.
É possível fazer política, defender o projeto, conquistar hegemonia, sem desfazer pessoas, sem quebrar princípios, sem perder o encanto, sem perder a ternura...
É possível fazer política, por simples amor ao projeto, por acreditar na potencialidade das classes populares.
É possível fazer política, sem atrelar-se à falsa segurança das
 “ verdades”  dogmáticas das tendências partidárias.
 É possível fazer arte-política fazendo a política com arte.
A política rimada com poesia, ritmada com a dança, feita com alegria,
A política que gera a vida, que faz nascer cidadão.
A política que faz crescer na consciência de ser gente,
A política que traz o novo na vida do povo,
A política que faz a Revolução
Quotidianamente,
Insistentemente,
Amantemente!

   SEVERINO RAMOS DE MOURA (CARIOCA) MILITANTE DE MOVIMENTOS POPULARES DE SÃO PAULO